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O Jejum Intermitente e perda de massa magra

Estudo interessante publicado recentemente no JAMA sobre o jejum intermitente (IF) vs restrição calórica contínua. Num trial de 12 semanas, a equipa de Ethan Weiss da Universidade da Califórnia não encontrou uma diferença significativa na perda de peso entre o grupo alocado para uma dieta em modelo intermitente e de restrição contínua com equivalente aporte energético. O que aliás contrariou a própria expectativa do chefe de equipa que acreditava numa vantagem do IF relativamente a modelos contínuos tradicionais. A ciência é assim...


Até aqui novidade nenhuma. Amontoam-se estudos e meta-análises a mostrar que as diferenças são inexistentes desde que o aporte calórico seja igual. Mas os outcomes secundários revelaram algo mais interessante, e que vai ao encontro dos indícios de estudos anteriores. O grupo em IF perdeu significativamente mais massa muscular apendicular (nos membros), e reduziu espontaneamente a actividade física diária estimada pelo movimento captado no Aura Ring. Por outras palavras, parecem ter reduzido o seu NEAT de forma significativa (Non-Exercise Activity Thermogenesis), o que aliás já tinham sido verificado em estudos com Muçulmanos no Ramadão. Além disso a adesão ao IF foi diminuindo com o tempo, embora aqui nem todos os estudos sobre o tema apontem nesse sentido.

Mas para sublinhar fica então uma tendência maior de perda de massa magra, em particular dos membros, e uma redução do gasto energético através da actividade física espontânea como reflexo de uma maior letargia no período de jejum. Com todas as limitações inerentes a este tipo de estudos no que respeita à aferição da adesão, aporte, e dispêndio energético. Ficam a faltar estudos que abordem esta questão como outcome primário numa amostra alargada, mas é perfeitamente expectável e natural que uma limitação severa da janela alimentar coloque o organismo sobre uma pressão catabólica maior. Algo que deve ser tido em consideração quando o IF é prescrito em condicções clínicas desde si já debilitantes e caracterizadas por caquexia. Como é o caso dos doentes oncológicos e idosos. Ou simplesmente por quem preza o músculo que tanto custa ganhar.

JAMA Intern Med. 2020. doi:10.1001/jamainternmed.2020.4153

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