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É mais difícil perder peso à medida que envelhecemos?

O nosso metabolismo fica "mais lento" à medida que envelhecemos e é mais difícil perder peso? Afirmação comum de ouvir para justificar a deterioração da composição corporal com a idade que alguns experienciam comparando-se aquando jovens. Mas será mesmo assim? Esse fenómeno deve-se mesmo a um metabolismo envelhecido?


Sim e não. De facto há uma tendência para redução da taxa metabólica basal (BMR) à medida que envelhecemos, quando esta é avaliada de forma transversal. Ou seja, quando analiso um grupo de pessoas de diferentes idades e avalio discretamente a BMR. Verifica-se de facto uma tendência decrescente com o avançar da idade. No entanto, essa diminuição é explicada por 2 factores: 1) de maior relevo, a degeneração e perda de massa muscular, e 2) redução do volume cerebral. Relativamente a este último, sabemos que há uma diminuição ligeira da massa encefálica em 10-15%, em média, entre os 40 e os 80 anos. O cérebro representa uma pequena fração da massa corporal mas uma fatia significativa da BMR. A perda de volume cerebral explica até menos 30 kcal por dia, com um impacto residual como certamente perceberão.


No entanto, a tendência para perda de massa muscular com o avançar dos anos tende a ser bem mais significativa para a quebra na BMR. Que na verdade pode ser evitada ou pelo menos atenuada com a prática de actividade física e um aporte proteico adequado. Não é uma mera consequência biológica mas sim o acumular de anos a maltratar o corpo e de uma vida sedentária.



No caso das mulheres a menopausa associa-se a alterações fisiológicas que, directamente e indirectamente, afectam de forma negativa a taxa metabólica. Nomeadamente a quebra severa nos níveis de estrogénios e predominância androgénica, que promove também um padrão central de acumulação de gordura. Mais no troco e menos no trem inferior e braços. E esse padrão sim é difícil de quebrar. Mas essa deterioração da composição corporal passa também pela perda de massa magra, atenuável com estratégias que permitam a preservação da massa muscular à medida que envelhecemos num contexto hormonal desfavorável.


À medida que envelhecemos o nosso corpo é menos condescendente aos excessos sim, mas o metabolismo não está estragado. Ume estudo recente mostra precisamente isso avaliando o sucesso das estratégias convencionais de alteração do estilo de vida e dieta. Não se encontra relação entre a % de peso perdido e a idade ao início do programa. Mais uma vez a adesão é o principal factor condicionante do sucesso.


À medida que envelhecemos somos mais resistentes em mudar nossos hábitos e isso tem certamente mais impacto na perda de peso do que a suposta "lentificação metabólica" que não se parece verificar na idade adulta quando a massa magra se mantém constante. Por experiência e por evidência, a idade não condiciona o sucesso de um programa multidisciplinar de emagrecimento quando a adesão é assegurada. Adesão essa a um deficit energético efectivo e não meramente intuitivo. Esse sim é o aspecto crítico a ter em conta. Não dá para cumprir assim assim como talvez tenha funcionado antes. Ou os resultados estarão ao mesmo nível.

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