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O álcool arruina os teus ganhos no ginásio?

Qual o impacto do álcool nas adaptações ao treino e hipertrofia muscular? Uma questão que me colocam com frequência, na expectativa de uma resposta que confirme o preconceito em relação ao assunto. Ou que não tem impacto nenhum, ou que tudo está perdido com um dia de abuso. E como quase sempre a resposta não é preta nem branca. É em tons de cinzento.

O efeito do álcool poderá manifestar-se a dois níveis: o impacto do acetaldeído na testosterona, derivado da metabolização do etanol, e a inibição do mTOR. Factor que estimula a síntese proteica e acreção de proteínas contrácteis. O consumo regular moderado de álcool, entre 1 e 2 doses (~10g/dose) diárias, parece ter um efeito insignificante nos níveis de testosterona (redução <10%). Mas o consumo agudo superior a 3 doses standard (>30g, equivalente a mais de 2 copos de vinho padrão), reduz os níveis sérios de testosterona em mais de 40% durante 24 horas.

Em relação ao mTOR, um consumo de álcool elevado e agudo, >8 doses, parece inibir a sua actividade em cerca de 25%. Pode parecer muito, mas pondo em perspectiva trata-se de uma atenuação inferior à que ocorre com um déficit energético de 40% (>30% menos actividade). Mais uma vez o efeito é transitório e verifica-se até 24 horas após consumo.


Portanto, e deixando claro que não existe nenhum efeito positivo expectável do consumo de álcool, além do prazer claro, também não é um drama. Existe de facto uma atenuação da síntese proteica e dominância catabólica, mas o efeito é transitório e dilui-se após 24 horas. Negligenciável se o consumo for pontual, ou mesmo se regular desde que muito moderado. E não está tudo perdido após um dia de abuso...



Referências:


Am J Physiol Endocrinol Metab (2015) 308:E712

PLoS ONE (2014) 9:e88384

Med Sci Sports Exerc (2014) 46:2175

J Pharmacol Exp Ther (1979) 208:210

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