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Stress e gastrite

A relação entre “emoções” e stress com uma doença foi estabelecida pela primeira vez bem no início do século XX. As úlceras gástricas. E foi uma grande chatice para os médicos na altura ter encarar o paciente e dizer-lhe para relaxar, levar uma vida mais calma, e que não existia uma cura. A alternativa era simplesmente mandá-lo para o colega da psiquiatria. Mas nos anos 80 os gastroenterologistas tiveram a melhor notícia das suas vidas. Havia sido descoberta a Helicobacter pylori, causa de “todas” as enfermidades gástricas e que podia ser tratada com um simples antibiótico. Mas o que a descoberta não explicava era por que razão a desgraçada da bactéria está presente em 60% da população e só 10% desenvolve doença. Os “antigos” não estavam totalmente errados. A bactéria era a bala, mas o stress um dos gatilhos mais poderosos. Isto porque uma das consequências do stress crónico é a imunodepressão mediada pelo excesso de glucocorticoides. Em condições normais o nosso corpo consegue reparar o dano que a H. pylori induz, mecanismos regenerativos esses que ficam comprometidos quando somos expostos a stress crónico, e permissivos à agressão da mucosa gástrica pelo ácido clorídrico. A circulação do estômago fica também diminuída com a predominância da actividade simpática, originando zonas isquémicas propensas a lesão. O cortisol inibe a fosfolipase A e a ciclooxigenese (COX), responsáveis pela síntese de prostaglandias gastroprotectoras que induzem a produção de muco, libertação de bicarbonato, e reduzem a permeabilidade da mucosa. Temos assim a longo prazo uma úlcera induzida por stress, ou apenas uma gastrite ou refluxo gastroesofágico. Disfunções e doenças tão comuns nos dias de hoje, e que estão em muito relacionadas com o estilo de vida e equilíbrio emocional.



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