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O lipedema: uma condição por diagnosticar

A Maria tem 30 anos e queixa-se de uma acumulação desproporcional de gordura no corpo que começou a ser notória ainda na adolescência. Apesar do seu peso normal e percentual MG de 24%, as pernas e gémeos parecem de outra pessoa. Ela treina 5 vezes por semana, 3 delas com PT, e segue uma dieta bastante cuidada. Sente-se frustrada pelo seu corpo não refletir o empenho, e questiona-se o que poderá estar a fazer mal. Nada. A Maria tem um lipedema. E apesar de ser possível atenuar, ela vai ter de aprender a lidar com essa característica do seu corpo.


Não se conhece ao certo a causa do lipedema, mas parece ter uma componente hereditaria. A prevalência quase exclusiva no sexo feminino, o exacerbar na puberdade, após gravidez e com anti-concepcionais combinados orais indicia que os estrogénios são factores etiológicos importantes. Não por estarem presentes “em excesso”, mas por uma grande sensibilidade do tecido adiposo em certas regiões do corpo, e expressão diferencial de isoformas do receptor. A gordura subcutânea e de aparência nodular que caracteriza o lipedema é muitíssimo resistente a perda por métodos não invasivos. É verdade que o edema, a acumulação de fluídos, pode ser aliviado com drenagem linfática e compressão mecânica. Mas ao contrário do que alguns alegam, não existem protocolos alimentares ou de treino específicos e milagrosos para o lipedema. Sabe-se no entanto que flavonoides como a diosmina e hisperidina podem ajudar na função vascular, e é verdade que a restrição de hidratos de carbono ou jejum intermitente pode contribuir para a perda de volume no trem inferior. Não por maior perda de gordura, mas por alivio do edema que a redução da exposição à insulina proporciona. Quanto ao treino, incidir sobre os membros inferiores é totalmente inútil. Na verdade até piora a condição com o aumento do volume da coxa e gémeos. Não de músculo, mas fluidos que extravasam dos vasos para os tecidos e agravam o edema quando o retorno venoso já está afectado.

O diagnóstico é feito um pouco "a olho" e apalpação, embora existam critérios imagiológicos propostos. O DEXA é utilizado para avaliar a composição corporal e distribuição da massa gorda, e alguns autores propõe um valor de corte de 0,46 na relação entre a gordura nas pernas (Kg) e o IMC. A imagem seguinte mostra-nos um scan de dois casos de lipedema. Os ultrassons revelam uma pele mais fina em mulheres com lipedema, e maior espessura e hipoecogenicidade da gordura subcutânea nas pernas, em particular na região inferior/gêmeos, concordante com edema. Muitas vezes está presente dor ao toque e lesões cutâneas frequentes.

Há que aceitar que nem sempre a dedicação ao treino e dieta se reflete nos resultados idealizados. Faz-se o melhor possível, e isso tem de ser suficiente.




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