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O leite acidifica o organismo?

Entre os eventuais motivos para evitar o leite não estará certamente o seu efeito acidificante no organismo. O que quer que isso seja, e é um assunto que já aqui discutimos. Alegação baseada no seu teor proteico, rico em aminoácidos com enxofre, e fósforo/fosfatos que são excretados na forma protonada e portanto acídicos. Mas a verdade é que o PRAL (Potential Renal Acid Load) do leite é zero, ou seja, o balanço entre o potencial ácido e alcalino é nulo. Como demonstrou Spence et al. (2005) e Heaney et al. (2001), o leite não provoca sequer alterações no pH da urina. E muito menos do sangue!


A vida existe entre 7,35 e 7,45, e tudo para lá se trata nas urgências de um hospital. Como já também demonstrado, uma dieta potencialmente alcalina não altera o pH do organismo, registando-se variações máximas de 0,0014 unidades, ainda dentro do erro da própria medição e portanto negligenciáveis. O nosso corpo tem mecanismos que tamponizam rapidamente as oscilações do pH para defender a vida. Seja através da excreção urinária, ou até no simples acto de respirar. Os H+ reagem com o bicarbonato e produz-se água e CO2 que se elimina nos pulmões. Nenhum alimento por si acidifica o organismo. E mesmo os que apresentam um PRAL acídico podem ser compensados com outros ricos em Ca, Mg, e K. É irrelevante o valor isolado de um alimento. Repetir incessantemente uma teoria errada não a torna verdadeira. Há que prova-la. O leite não é certamente um alimento essencial e todo-poderoso, mas está também longe do vilão em que o tornaram nos dias que correm. E não vos vai corroer por dentro.

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