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Bioimpedância: será um bom método de avaliação e monitorização?

Atualizado: 16 de fev. de 2022

A análise de #bioimpedância (BIA) é o método de avaliação da composição corporal mais comum, pelo qual se guiam a maioria das pessoas e até profissionais. No entanto, são reconhecidas limitações importantes da BIA nessa estimativa, que não deve ser entendida como mais do que isso mesmo. Uma estimativa, sujeita a um erro tanto menor quanto melhor for o equipamento e mais rigorosas as condições da análise - avaliação em jejum e sem ingestão prévia de líquidos, temperatura da sala de 20-22 ºC, e sem prática de actividade física intensa ou moderada nas 3 h que antecedem a análise. Mantendo estas condições asseguradas e constantes, o que é muito difícil, apesar do erro a BIA é por vezes tida como um bom método de monitorização ao longo do tempo. Será mesmo assim?


Mais ou menos. A BIA mede a resistência do substrato biológico à passagem de uma corrente eléctrica, o que indirectamente define água. Avalia a água nos diferentes compartimentos corporais e tecidos, assumindo que não existe variação ao longo do tempo. Que o tecido adiposo se mantém sempre com ~36% de água, e o músculo nos ~73%. Os aparelhos de melhor qualidade usam várias frequências, entre os 5 kHz e 1 MHz, que permitem diferenciar água intersticial e intra-celular, aumentando assim a fiabilidade da análise. Como é exemplo o da imagem de capa deste artigo que custa alguns milhares de euros. Mas maioria dos equipamentos comerciais são de frequência única, 50 kHz, que penetra parcialmente nas membranas das células e nos permite apenas uma soma ponderada da água total.


Ora, temos aqui um problema. É que o nível de água nos diferentes compartimentos não se mantém sempre constante, e muito menos num processo de perda de peso em que na fase inicial se perde uma quantidade significativa de água dos tecidos. Fenómeno que leva à substimação do valor real de massa gorda que foi perdido pois a resistência total é maior, especialmente quando avaliada com uma única frequência de corrente. Não são de estranhar resultados frustrantes, e aqui o peso, perímetros e pregas serão indicadores até mais interessantes do que a BIA.


Algo que a bioimpedância também não faz é avaliar correctamente o estado de hidratação. Por BIA, praticamente todos os indivíduos com massa gorda excessiva saem do consultório com a recomendação de que precisam de beber mais água. Efectivamente poderíamos estimar a quantidade de água corporal pela resistência total à corrente eléctrica, que aumenta em estados clínicos de desidratação. Mas é normal que um obeso apresente menos TBW por unidade de peso quando comparado a um normoponderal. Simplesmente porque a percentagem que a massa gorda representa no corpo é maior, e o tecido adiposo tem um teor de água muito baixo. Ou os valores da %TBW são traduzidos em absolutos, ou o estado de hidratação terá de ser aferido por indicadores analíticos como a gravidade específica da urina, osmolalidade ou hematócrito/Hb, e até a própria cor da urina será um melhor indicador do estado de hidratação do que a %TBW estimada por BIA em indivíduos com massa gorda elevada.


A BIA não é o método padrão para avaliação da composição corporal, muito raramente usado em investigação clínica. A metodologia considerada mais fiável e com a qual outros métodos são comparados é o DEXA, que se baseia no grau de atenuação diferencial da radiação electromagnética de baixa intensidade pelo tecido adiposo, muscular e ósseo. Com a vantagem de um scan ao corpo inteiro que permite uma melhor segmentação da distribuição desses tecidos. Na #MetaClinic dispomos desta tecnologia para uma avaliação da composição corporal e monitorização mais precisa. Uma aposta no rigor e carácter científico que nos define.

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