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A carragenina é mesmo carcinogénica?


Como tem sido uma pergunta frequente, aqui fica o esclarecimento sobre este tema com origem em alguns vídeos que circulam nas redes sociais. NÃO! A carrragenina, presente em vários alimentos processados incluído os tão na moda pudins proteicos de algumas marcas, NÃO É CARCINOGÉNICA.


Trata-se de um poligalactano sulfatado de grande peso molecular, >200 kDa, produzido por uma família de algas, as vermelhas, e com propriedades gelatinizantes e espessantes exploradas pela indústria alimentar. Os estudos de segurança não têm revelado nenhum grau de toxicidade associado à carragenina, que não é sequer assimilada no trato GI devido à sua indegistibilidade e elevado tamanho da molécula.


A confusão surge devido a um produto da sua degradação, a poligenina, essa sim associada ao desenvolvimento de tumores. A poligenina não é utilizada como aditivo alimentar, nem tem interesse já que não possui as mesmas propriedades espessantes. O seu uso está limitado à imagiologia médica, e cada vez menos devido à potencial toxicidade. O peso molecular é 10 vezes menor, cerca de 20 kDa, e pode efectivamente ser assimilada pelo corpo.


Mas a degradação da carregenina em poligenina NÃO OCORRE IN VIVO, a não ser que o teu estômago tenha um pH <1, que não tem, e atinja temperaturas superiores a 80 ºC durante várias horas. O que obviamente não acontece. A degradação não é de forma alguma espontânea, mas induzida laboratorialmente em condições mais extremas. Estudos antigos com técnicas obsoletas de baixa sensibilidade sugeriram a possibilidade da presença de produtos degradados da carragenina em alimentos, o que não tem sido corroborado com recurso a métodos actuais mais fidedignos. E as espécies de baixo peso molecular encontradas resultam da síntese incompleta de carragenina pela própria alga, e não da sua degradação em poligenina.


A carragenina de grau alimentar NÃO É CARCINOGÉNICA. Se existe algum desconforto gastrointestinal associado ao consumo, tudo bem em evitar. Falta não faz de certeza. Se és ideologicamente contra os alimentos extensivamente processados porque não são "naturais", está tudo certo. Mas a bem da verdade e contra o terrorismo nutricional, o medo de desenvolver cancro não tem fundamento. Se em vez da carragenina colocassem no pudim a desgraçada da alga de onde a retiram, ninguém se preocupava. Até lhe chamavam um super-alimento! Alga essa que faz parte da alimentação nativa nas Filipinas e Indonésio, e não é por isso que a incidência de cancro é superior.

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